Piauí registra 744 pessoas desaparecidas em 2025 e tem quinto maior número do Nordeste, aponta Ministério da Justiça

Piauí tem 744 desaparecidos em 2025, média de dois casos por dia.

29/01/2026 - 10:18

O Piauí registrou 744 pessoas desaparecidas ao longo de 2025, o que representa uma média de dois casos por dia, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número coloca o estado como o quinto com mais registros no Nordeste. Em comparação com 2024, houve crescimento de 20,78% no total de ocorrências.

Os meses de fevereiro e maio concentraram os maiores volumes de registros no estado, com 71 desaparecimentos em cada período. A maioria dos casos envolve homens, que somaram 480 ocorrências, enquanto as mulheres representaram 234 registros. Outras 30 pessoas não tiveram o sexo informado. Em relação à faixa etária, 610 desaparecidos tinham mais de 18 anos, 109 estavam entre 0 e 17 anos, e cerca de 25 não tiveram a idade declarada.

Apesar do volume absoluto, o Piauí apresentou uma das menores taxas proporcionais da região. O índice foi de 21,98 desaparecidos a cada 100 mil habitantes, a segunda menor taxa entre os estados nordestinos. No ranking regional, a Bahia liderou com 3.929 casos, seguida por Pernambuco (2.745), Ceará (2.578) e Maranhão (1.182). Em seguida aparecem Paraíba (929), Piauí (744), Rio Grande do Norte (775), Alagoas (729) e Sergipe (728).

Em nível nacional, o Brasil contabilizou 84.760 pessoas desaparecidas em 2025, considerando todas as faixas etárias. O número é o maior desde o início da série histórica do Painel de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, iniciada em 2015, e supera os índices registrados antes da pandemia de Covid-19. A taxa nacional foi de 39 casos a cada 100 mil habitantes.

Entre os estados com maiores volumes absolutos, São Paulo liderou com 20.546 registros, seguido por Minas Gerais (9.139), Rio Grande do Sul (7.611), Paraná (6.455) e Rio de Janeiro (6.331). Já as maiores taxas proporcionais foram observadas no Distrito Federal, com 74,58 casos por 100 mil habitantes, e em Roraima, com 78,1.

Segundo o painel oficial, alimentado pelas secretarias estaduais de segurança pública e pelo Distrito Federal, há diferenças relevantes no perfil dos desaparecimentos. Entre crianças e adolescentes, mais de 60% dos casos envolvem meninas, enquanto no total geral a maioria é formada por homens, que representam cerca de 59% dos registros. O levantamento aponta que essa disparidade é considerada importante para a formulação de políticas públicas, embora ainda não haja uma explicação consolidada para o padrão observado.

Fonte: RevistaAZ